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16.3.11

Foleiro


Unhas de gel é provavemente a invenção mais foleira desde as permanentes mal feitas.


Não conheço nada mais brega do que uma mulher com estes apliques. Chega a meter dó até porque a maior parte das tipas que as usam nem sequer se arranjam comme il faut. Cabelos mal amanhados, perfumes baratos que cheiram a puta, vestimentas de 5ª categoria e sapatos todos f-o-d-i-d-o-s. Ahhhh mas unhas de gel.
Não tenho dinheiro para ir ao cinema. Mas tenho unhas de gel. Não leio um livro há anos. Mas tenho unhas de gel...


18.7.10

Ela

"Totalmente dedicada ao seu seio, àquilo que pensa estar a construir, pensa que não.
Que não suporta mais o estado da sua nação, que o seu chanceler se desvia dos costumes e anseios dos seus descendentes lacaios e outros tantos. Questiona-se tantas vezes onde anda o princípio das coisas quando tudo era simples e sem pesos.
É esta a insustentável leveza do ser tomada por Tomás, mas desta vez invertida pois não foi ela que carregou o Anna Karenina debaixo do braço a primeira vez e uma mala com toda a sua vida numa segunda. Deparou-se com o cesto do seu amante transbordante de vontade de ser acolhido em seus braços numa das primeiras noites em que este lhe disse amo-te (sentidamente).
Mas hoje, e tantas vezes questiona-se onde está o seu conforto, com todas estas oscilações semanais entre as bebedeiras dos generais e discussões na plebe sem motivo aparente.
Mostra-se-lhe o lado do copo meio vazio, mas este parece-lhe já menos meio que vazio de esperança de encontrar-se de novo na plenitude do primeiro acto de verdadeiro amor. Desconfia das mensagens trocadas a meio da noite que desaparecem pela manhã e só tem vontade de se mostrar a quem a deseja verdadeiramente, ainda que por breves instantes para se voltar a sentir plena e confiante na sua veia característica: o ser mulher. Quantas vezes chamada guerreira, hoje com tanto dó de si e das suas presas.
Tenta segurar-se nas emoções para não cair a sua pátria e o que com os seus batalhões de infantaria conquistou em tão pouco tempo mas faltam-lhe as forças e a vontade de sentir aquele acre cheiro a álcool que transborda do corpo destes seres que por vezes deixa de reconhecer.
E odeia-se por não saber como travar a insurreição ou abater todos os males que ameaçam a felicidade que pensou conseguir construir uma vez mais com o pouco dos dias. E pensa:
Faltas-me. Com a imensidão dos oceanos que deixei entre nós continuas a faltar-me junto de mim, já que nas entranhas sinto a tua presença, o teu sorriso, os teus olhos dentro dos meus e tudo o que não tivemos."